29/12/2012

A  Arte  de  Escrever

                         Marisa Pompermaier


Escrevo quando 
as palavras 
saem de mim
e precisam de 
um abrigo.

Escrevo em 
qualquer lugar
seja no computador
até nas folhas
amassadas de um jornal.

Escrevo sem precisar
programar,
arte de calar,
arte de cantar
arte de silenciar.

Juntam-se letras,
entoam-se palavras...
logo sai um verso
descomprometido
se for, ou não, lido.

Escrevo na pura
essência
do gosto,
da rima,
do desejo.

Escrevo e me retrato
querendo ou não,
sou substrato
daquilo que sou
daquilo que escrevo.

    (brincadeira gostosa,
     sou eu a poeta)

10/12/2012


coisas   do   tempo

                                             
marisa pompermaier


reflito
me perco 
em divagações,
em porquês, 
sem razão,
perguntas sem resposta
vida, 
uma aposta!

caminho,
corro, vôo.
eu e meus pensamentos
uma flor entre 
espinhos
um silêncio.

Já não sou 
mais a mesma
e nunca  serei 
aquilo que já fui.

o tempo me limita
me condiciona 
a olhar
essas coisas da vida.

aceitá-las
 simplesmente,
quando o desejo é
negação!

me ressinto,
e calo 
meus anseios
produzo 
uma autoimagem
que me protege
tal qual 
como um herege.

e o tempo anda,
não 
dentro de mim.
me perdi
 na própria angústia
de um passado
 presente
de um amor
 ausente.



09/12/2012


E por falar em vida...


Vida é dom recebido
é carinho recohecido.
vida é curtir a solidão
é amar, pedir perdão.



vida é um sopro de saudade
é sonhar sem medir idade.
é alavancar forças
em prol de uma causa.



vida é tentar ollhar-se
sem culpa, punição.
muitas vezes esquecer 
a razão...



vida é caminho,
vida não é destino.
pois nem tudo depende de nós
é preciso conviver com os "nós".



vida é enfrentar o espelho
aceitar a "curvinha' na face
é escrever no diário da mente
mais um dia, mais um ano...
sou feliz e ponto.


(Marisa Pompermaier)

07/12/2012

b i l h e t e


imagem:  internet

       marisa pompermaier


não dizia muito,
apenas-" até breve"
escrito com o vazio
de quem vai.
o bilhete sobre a mesa
com uma rosa 
vermelha.
fim do espetáculo,
início de uma 
nova cena.
sem corte,
nem censura.
a vida já havia
lhe mostrado.
reflexo de tudo
vazio do nada.
assim o destino
se fez.
toda polidez
naquele bilhete
do amor
que já fora.

03/12/2012








O POEMA
                                                       by Marisa Pompermaier

Foge do meu silêncio,
desarma a censura
corrói, me deleta,
o poema implaca.

                     se não falo em flor,
                     tampouco amor
                     poema também é dor...

                                          consomem-se palavras,
                                          alimento in natura,
                                          composição perfeita
                                          direita ou, esquerda,
                                           tanto faz.

Poema incompreeendido,
importa seja lido,
rasga as entranhas,
vem ao mundo.
Se faz valer
no seu absurdo.