15/11/2012

   

r e p r i s e


                                                                                                      marisa pompemaier



se chego mansamente,
assusto .
se ouço, minuciosamente,
me calo,
além da conta.

se o ímpeto é falar,
compartilhar,
depois de muito tempo,
sou inoportuno.

se escrevo todas
as angústias que guardo
dentro de mim,
sou filósofo demais.

se pergunto -como foi 
seu dia?
sou literalmente vazia,
como todos  no mundo.

se me consomo no silêncio
quando o desejo é 
perguntar- 
por que
sempre é assim/?_
sou evasiva demais.

se me entristeço, na partida
sem ousar saber
se retornas,
é por que não me importo.

se contato demais,
é porque sufoco.

Então!
como será o amanhã?

A mim, só restam reprises
ao chegar e ao partir.
Contextualizar ,
dialogar o porquê
dessas reprises

perde-se no ar...
perde-se no tempo...
e, quem sabe,
poderá perder-se 
no pensamento...
      

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