27/11/2012


Abstrato de mim

 Marisa Pompermaier

Sou abstrato.
profundo e me delato
com as cores
me jogo.
Indefinição
é o que pareço.

Não ha preço
para delinear
minhas formas.

Já fui concreto,
hoje sou
subjetividade.

.Minha imagem,
se confunde com
o que sinto:

Mescla de sonhos
desfeitos
perdidos no
abstrato.

Sou dor,
imaginaçao.
Total confusão
entre o que fui
e o que sou.

Entre o que criei
e o que deixei
perder-se
na bruma do tempo.

Perecer
no abstrato,
contrato que fiz
entre o dualismo
contraditório.

Talvez seja
o novo caminho
dentre as escolhas,
a melhor.

que vesti
e assumi.

Substância inefável
norteia meus passos
para que eu possa
ainda, viver.


24/11/2012



t r a v e s s i a  ( 2 )

by  marisa pompermaier

Ao me propor andar,
deixo para trás
o que poderei encontrar.

Insípida passagem,
regada de mistérios,
presenças e ausências

Já não me basta ir.
antes que eu clamasse
hora de partir,

estavas tão longe.
tão longe do meu sentir
tão próximo do meu existir.

Decidi pegar carona
com silêncio da noite,
onde a nudez se rebela
e palavras constrõem


Se eu não chegar a tempo
marque forte meu lamento
de tanto te buscar
me perdi.

E, perdendo-me
a travessia se fez

17/11/2012



L a b u t a

                                             Marisa Pompermaier

Desperta o relógio,
quatro e meia da manhã,
hora de entrar em ação.

Novo dia,
ofício ganhar o pão.
Apressado,
lá vai o operário
continente
buscar o salário
no mesmo itinerário.

O sonho da casa própria,
carro popular,
filho prestando vestibular.
À família presentear
fim de semana
em Cidreira ou
Rainha do Mar.

...Tudo ficou para trás
o negócio é trabalhar,
hora extra, nem pensar.

Diretrizes do mercado
Corta o pão,
enxuga a máquina
fila dos desempregados.

A rotina incessante
classificados do ZH.
Lá fora eco gritante
batalhão e traficante.

É hora de levantar.


15/11/2012

   

r e p r i s e


                                                                                                      marisa pompemaier



se chego mansamente,
assusto .
se ouço, minuciosamente,
me calo,
além da conta.

se o ímpeto é falar,
compartilhar,
depois de muito tempo,
sou inoportuno.

se escrevo todas
as angústias que guardo
dentro de mim,
sou filósofo demais.

se pergunto -como foi 
seu dia?
sou literalmente vazia,
como todos  no mundo.

se me consomo no silêncio
quando o desejo é 
perguntar- 
por que
sempre é assim/?_
sou evasiva demais.

se me entristeço, na partida
sem ousar saber
se retornas,
é por que não me importo.

se contato demais,
é porque sufoco.

Então!
como será o amanhã?

A mim, só restam reprises
ao chegar e ao partir.
Contextualizar ,
dialogar o porquê
dessas reprises

perde-se no ar...
perde-se no tempo...
e, quem sabe,
poderá perder-se 
no pensamento...
      

14/11/2012


t r a v e s s i a



                                marisa pompermaier


em cada passo
alinhavo réplicas
que se multiplicam
formando saberes.

imagens, atitudes
palavras...
as quais perfilam
meu entorno
sem direito à defesa.

controvérsia,
não sou inércia
vou juntando
peças...

a bagagem repleta
me sinto incompleta
denuncio tanto peso
que o sistema
faz de lema.

impotente,
desembarco antes
de chegar na estação.
me liberto.

travessia mais leve,
esqueci do conflito.
recusei ao sistema,
fórmulas e teoremas.

sou feliz.
consigo escutar,
outra vez,
o barulho do vento
batendo na janela.

11/11/2012

e n t a r d e c e r


                                                                                              marisapompermaier
um pouco de sol se despede a tarde,
 jardim florido cactus, que lindo! 
perfil silencioso
o olhar me dele
 a ânsia abstrata do querer, sem pode
 antagonismo perfei
 de atitudes a lugares tua essência me traz.
 teorizando a vida,
 apaga a luz
 esquece a mágoa 
o silêncio conduz. 
extrato sublime o 
da ausência à presença,
 se faz existência pincela o amor.
 o tempo não pára, no rosto o descanso,
 pensamento já foi sem regras, 
absorto, eu fico, tu vais.
 anoiteço, amanheço, 
entardeço sozinha.
 conviver no antagonismo 
é um viver displicente. alimenta incertezas,
 finaliza minha calma, extrapola limites...
 anestesia meu amor.
 (amor que é "AMOR",existe por si só.
 Abranda, acalma.
 Sua música é profecia, eterna arte de amar.)

04/11/2012


S i n g u l a r

                                                  imagem: dreamstime

                                                    marisa pompermaier


Da rosa botão
quase murcha
enfeita o chão.
Por que não?

Dos passos mansos
do olhar vazio
imagens mil
eu crio.

Criações
de toda ordem
ocupam toda desordem
do fictício
 imaginário.

Povoam.
habitam e se vão
negligenciam  o vazio.
Missão a minha
entreter-me.

Não busco respostas
sou eu mesma
o foco.
Vidro quebrado
restos pra todo lado.

Singular
não da gramática
nem da metafísica.
Talvez um pouco
de crítica
disfarçada

no verso
escrito do
   meu reverso.