14/09/2012


fragmentos



                                                                                     imagem: internet

                                                                marisa pompermaier

o que fazer
se  a alma não mais atinge,
se não há mais um espaço único
que sirva de ponte,
elo ou ambivalência?

como explicar ao coração
partida sangrenta
diluída em fragmentos,
tudo o que sobrou?

como entender
rica mobília criada
entre sonhos e momentos
guardada dentro de mim?

o que fazer
com o mundo inventado,
a música, os pássaros,
as conversas na madrugada?
a ti, poderá ser nada.

argumentar a poesia,
eterna maresia
pincelada na tela,
flores de cactus
risos na janela,
o que fazer, agora?

e o que se criou
na alma?
candura, doce calma.
páginas escritas com amor,
não há quem suporte,
misto de perda e  dor.

um a um,
vou juntando resíduos
para que tenham vida.
inutilmente,
serão, eternamente,
não mais que fragmentos.

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