18/08/2012



enquanto restarem flores

                         imagem:deviantart.



                                                                              marisa pompermaier


a estação das flores
não acaba.
é permanente.
enquanto umas se recolhem
do inverno
outras vem
é o ciclo da vida.


o frio as amedrontou ,
e o seu lugar ninguém tomou,
o lugar é aqui.

a estação é inviolável.
alguns percalços,
coisas do caminho. 

é preciso enriquecer
o substrato 
para que voltem inteiras.

levam consigo  a dor
e, sendo apenas flor,
não resistir às intempéries.

explode a semente,
rasga a terra
tão viva, tão bela.
à espera daquela...

o jardim se refaz!
basta que as flores
decifrem em 
seu vocabulário
seiva e cor, 

cenário de amor.

15/08/2012


s  i  n  a  i  s


imagem: dreamstime

                                                                             marisa pompermaier



do concreto ao abstrato,
do arco-íris a palidez
sintomática nudez
tudo ou nada
de uma vez.

a forma adorna,
a forma fere
intimida 
individualiza 
contextualiza.

às vezes ,dramatiza
conclui,
exclui
retorna nova,
sua própria prova.

sinais mudos
proliferam...
destoa a cor
amortece o amor.

09/08/2012

p o e m a


                                                                    imagem:dreamstime

                                                                     marisa pompermaier


tantas postagens,
temática disforme.
sol, lua, imagem
constroem
argumentam
passagem.

imaginação,
canção, vivências
o poema traça 
suas andanças.

o poema se faz
não por mim.
autônomo,
voraz, eloqüente,
torna-se vivo,
independente.

dou-lhe liberdade
para que voe
sem deixar saudade.

ele é do mundo,
indisciplinado,
sem regras,
imortal.

se ficar na memória,
é porque sobrevive
a sua história.

se cair no esquecimento,
pouca importa...
dou-lhe asas para
que supere ausências.

trajetória breve,
ou não, ele vive
é o sentido da missão.

sempre fica um rascunho
oculto em si mesmo.
o poema transcede
ignora aprovação

traz consigo a devoção.



05/08/2012


Altas  horas...


            Marisa Pompermaier

O dia se consome
Recolho-me .
Apaziguar-me,
Antes  que o relógio
Ensaie um novo dia.
As cenas do filme
Pensamento a editar...
A lua vestida de festa
Vem me abraçar
E sussurra – deixa passar –
A surdez me invade
E a reprise insiste,
Cada capítulo, uma lágrima
A cor ecoa  a dor
E o  amor¿
Inerte, transparente,
Silencioso...
Será que já foi,
Sem me avisar¿
Achando tudo normal¿
São tantas as horas,
Estacionam, criam raízes
Que tento podar.
já não sou  tão forte...
altas horas decidem ficar


04/08/2012

 e s p o n t a n e i d a d e


imagem: internet


Marisa pompermaier


rima com imagem
olho no olho,
palavras soltas
pensamentos.
inconfundível lamento.
atitude
presença
na ausência
respostas certas
perguntas é que se multiplicam
impaciência!
a semeadura
madura,
meticulosamente
cuidada.

a colheita
é nossa!



p  a r  t  i  d  a

                                           imagem. deviantart

                                                    by marisa pompermaier


quero ir embora,

sem lugar definido...

prá começar,

quero ir embora

de mim mesma.

insuportável tanta hipocrisia,

mediocridade,

tanta mentira vestida

de verdade.

abram alas, vou passar

rir ou chorar

pouco importa.


deixar o gosto fétido

imagens incrustadas

de verdades
     ( que eu criei)

idolatrada mentira!

preferia ter conhecido,
bem antes...

quero ir, nem sei prá onde,
mas quero.

deixar aqui a mágoa,
os sonhos...

as pessoas, suas palavras,

abarrotadas de sarcasmo.

a bagagem quase vazia,

isso não importa!

hei de levar

apenas um coração

partido, como

partem todos os que amam

e se perdem no caminho.