23/07/2012

t e m p o



                             by marisa pompermaier 


estou farta de usar o tempo 
como defesa, para as coisas desejadas ou perdidas. 
ninguém duvida que o tempo é um remédio.
 eu o chamo de antídoto,
difícil de encontrar na medida certa.
 tudo foge ao seu controle.


 estou sem tempo de aspirar 
por esse "tempo" que está omisso
 criando ladeiras imensas
 dentro de mim.


 estou à mercê de um tempo ausente,
 que não ascende,
 completamente inerte 
em sua melancolia.


 um tempo que fantasiou minha poesia,
 mistificou minha alma,
 criou turbilhão em minha calma.


 a precisão dos dias,
 me dá amparo e a razão
 visualiza e concretiza
 o que foi emoção.


 tempo sem fronteiras, 
presente, passado, futuro.
 se um dia foste abrigo,
 hoje é apenas forasteiro

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